Para a midia a beleza feminina é uma qualidade fundamental. A propaganda em jornais, revistas e televisões no mundo ocidental mostram esta realidade. O mundo que produz, vende e fatura com o corpo feminino não se preocupa ou questiona o fato de que beleza não ocupa uma parte central na vida de muitas mulheres. Mas uma grande parte das mulheres é influenciada por este mundo ideal de beleza criado e enfatizado pela midia. O resultado é o lucro de bilhões que a indústria de cosméticos fatura anualmente, isto sem mencionar uma outra indústria – a cirurgia plástica. Estas indústrias existem e são proveitosas porque elas impõe a importância da aparência, da imagem, do corpo feminino. Vemos em revistas mulheres de 25 anos vendendo cremes contra rugas. Esta imposição ilusória não é causa e nos faz perguntar: Por que certas culturas dão tanta importância a beleza física em detrimento a individualidade e a identitade da mulher? Quais são os mecanismo sociais que constroem e congelam este fenômeno? E quem lucra com tudo isto?
A verdade é que o padrão de beleza ditado pela midia é um fator essencial para se controlar a sexualidade da mulher. Esta visão determina que a sexualidade seja distorcida e entendida como ornamental, observável em vez da qualidades que emanam de um contexto da vida da mulher e como esta se relaciona com ela mesma, com as pessoas e com o mundo. Com esta visão reducionista na equação beleza física e sexualidade, geralmente alguns homens e mulheres escrutinizam a forma do corpo feminino, o tamanho do seu busto e a cor do seu cabelo, todos elementos comumente utilizados para avaliar o ser sexual. Idéias a cerca do apelo sexual e da beleza feminina são desta forma sistemas simbolicamente construídos que remetem ao conhecimento e o significado. A sexualidade desta forma é removida do mundo privado para o público, para o domínio de massa, tornando a sexualidade concreta e externa, portanto vulnerável a inspeção, definição, monitorização social e controle. Este controle na verdade fere a identidade feminina, sobretudo adolescentes e pré-adolescentes que por estarem na fase do desenvolvimento humano onde a descoberta do corpo e a procura de identidade são essenciais, são confrontadas com a forma, peso, altura e estética do corpo que possui e o que a média determina ser sexual ou sensual. Adolescentes infelizmente internalizam rapidamente este controle social de modo ainda mais transparente. Na adolescência o desenvolvimento sexual em termos de influência cultural, classe social e etnia não se completa. Cognitivamente o adolescente não está preparado para julgar e selecionar o tanto de informação que recebe através da midia. Tanto que um grande número de jovens se tonam membros involuntários de um policiamento social que fiscaliza e julga aquelas mulheres que não se enquadram no que geralmente o homem determina como o corpo ideal.
A construção de conceito de beleza é estreita e socialmente construída. Consequentemente a sensualidade ou sexualidade que o mundo da media cria na verdade é um mecanismo social, político e econômico para controlar o comportamento social e sexual da mulher. Este controle como vimos é lucrativo e mantém na verdade uma estrutura social em extinção que são as estruturas patriarcais. O uso e abuso consistente da imagem feminina pela media beneficia a manter estrutura tradicional patriarcal. A imagem da mulher bela e jovem é resultado de um critério puramente individual, e interperssoal que sustenta e em níveis sistemático, mantém a opressão de gênero. A mesma indústria que perpertua esta opressão explora as transformações sociais que mulheres em sociedades tradicionais, modernas e pós modernas têm conquistado. Se “desconstruirmos” os padrões de beleza criados pela media, vemos que existe uma construção e imposição de modelos de beleza que se transformou através dos séculos. Na renascença o ideal de beleza feminina era a mulher redonda, volumosa, a partir do século vinte este modelo foi radicalmente transformado em mulheres linha reta, esqueléticas. O exemplo mais evidente disto foi a modelo inglesa Twiggi, que solidificou este padrão nos anos sessenta.
Não podemos ignorar que a construção social da realidade, como industrialização e contato com outras culturas cria as formas diárias de transformação da mulher no trabalho, no papel dela na família, na maneira como ela se diverte e na sua atuação sexual e no modo como ela se relaciona com o homem. Esta construção implica também em sanções, em censuras e escrutínios sobre a imagem da mulher. Como ela deveria ser em vez de como ela é. Esta imposição de modelo na verdade limita a liberdade de expressão da mulher o a maneira como ela se comporta socialmente. Esta construção social também estabelece o que é normal e anormal, consequente o que é digerido e entendido pelo que a media despeja no social. São vários os fatores utilizados na construção social da imagem da mulher: fatores psicológicos, políticos e um enquadramento social que dão um significado ou não no papel da mulher na família, no trabalho e no mundo. Mas, se “desconstruirmos” esta formação da imagem feminina que a media impõe, notamos que ela é ambígua, mas transparente. A construção desta imagem forjada no fundo reforça e sedimenta o patriarcalismo e a dependência da mulher ao homem, idealmente excluindo-a de sua participação no mercado de trabalho e de ter direitos civis iguais ao homem ou ser tratada com dignidade. Diante desta realidade, do fator demográfico (mais homens do que mulheres) geram um comportamento feminino onde é evidente uma certa perda do self (auto conhecimento) e uma baixa auto estima.
O que a midia fabrica e dramatiza não só reforça esta construção artificial social, mas oferece permissão para mais perda de valores e identidade. A midia mostra por exemplo homens de 60 ou 70 anos com mulheres jovens, mas raramente vemos o contrário. Nas propagandas de natal vemos o homem dando presente caros as mulheres. Nas novelas vemos mulheres ultrapassando limites, manipulando e competindo com outras por homens de caráter questionáveis. Concluímos que precisamos “desconstruir” o que a media despeja no social sem nenhum compromisso social ou responsabilidade para que possamos utilizar o poder que temos como consumidores – selecionando ou boicotando inconsistências, e anomalias aparentes, arbitrariedades que são jogadas no mundo do consumo diariamente.
O mecanismo mais importante diante desta realidade imposta é fazer com que vejamos claramente que o que a media faz na verdade e conscientemente é perpetuar a dependência feminina. Muitas mulheres têm consciência de como a imagem dela é usada e preferem verbalizar o seu repúdio. Muitos homens também estão conscientes de que na verdade fazer acreditar que sexualidade e sensualidade dependem da beleza é uma forma de manipulação contra eles. Homens e mulheres que estão conscientes deste fato devem divulgar e conscientizar outras mulheres e homens mostrando que o mecanismo primário em controlar a imagem ou a sexualidade feminina reside no que certos indivíduos (homens e mulheres que trabalham na media) acham do que é belo. Estes homens e mulheres que exercitam este controle sobre a imagem feminina querem nos fazer acreditar que sexualidade e sensualidade estão intrinsicamente ligadas a aparência física da mulher porque como já afirmamos o homem, este não importa se são velhos, fora de forma, acima do peso, com corpos desfigurados pela gordura ou com a pressão alta, que afeta sua atuação sexual. Esta falta de pressão estética sobre o masculino é ignorada porque ele é o provedor, o que detém o poder econômico. Para o homem de meia idade ou envelhecido com dinheiro não importa se a jovem que está com ele é por amor ou pelo luxo, ou a segurança e conforto que o dinheiro dele proporciona.
(Dra Ilma Ribeiro Silva, Ph.D.; seu site http://dr.ilma.blog.uol.com.br)
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