Pelo Psicólogo Fernando Falabella Tavares de Lima
As perdas excessivas de peso e as mudanças radicais nas formas do corpo podem trazer riscos para a saúde psíquica das pessoas, como a despersonalização. Por outro lado, a busca incessante e irracional por um padrão de beleza imposto também pode ser sintoma ou causa do adoecimento psíquico.
Durante todo o ano, mas principalmente nos períodos de verão, onde os corpos estão mais expostos aos olhares de todos, surge a necessidade e a motivação das pessoas cuidarem de seus corpos. Nossa sociedade está “abusando” da cobrança da estética perfeita. Muitas mulheres se espelham nos ideais de beleza e de corpo impostos pela mídia e tentam de diversas formas atingir seus objetivos, buscando a todo custo se tornarem semelhantes ao padrão das modelos, das manequins, das atrizes. O questionamento que muitas vezes não é consciente, mas que deveria aparecer, é sobre as razões dessa busca por um ideal tão difícil de ser atingido.
Nesse esforço insano por perder peso e modificar rapidamente as formas do corpo, muitas pessoas cometem exageros e excessos que são, sabidamente, prejudiciais à saúde. Para começo de conversa, nem todas as pessoas buscam orientação de clínicas e especialistas da área para traçarem um plano de metas, na busca pelo objetivo final. Assim, muitas mulheres (e homens também) passam a consumir remédios para diminuir o apetite e abusam das dietas e dos exercícios físicos sem orientação.
A perda de peso de uma forma saudável é algo bastante difícil de se alcançar, principalmente quando não se está preparado psicologicamente para as privações e esforços que, na maior parte das vezes, serão inevitáveis. Acredito que as pessoas, ao buscarem uma mudança no seu fenótipo, ou seja, nas suas características externas do corpo, devam ter clareza das razões porque estão fazendo isso. Muitas pessoas embarcam na luta contra as medidas e os números da balança sem avaliarem ao certo os motivos dessa busca. Qual é o prazer envolvido em ter o chamado corpo ideal?
Pode-se afirmar que o desejo de mudanças físicas traz consigo muitas questões psicológicas inconscientes que não são claras para as pessoas, à primeira vista. É exatamente por não considerarem ao certo os motivos que sustentam a necessidade de se mudar o corpo, que os riscos acontecem. Para citar apenas alguns exemplos: há aquelas pessoas que perdem uma quantidade tão grande de peso num espaço de tempo tão curto que passam a não se reconhecer e sofrem grandemente com isso. São pessoas que praticamente perdem “metade” de seu corpo no processo de emagrecimento e depois passam por um período onde a readaptação é necessária. Esta é bastante difícil de ser feita sozinha, muitas vezes gerando uma forte depressão ou outros conteúdos psíquicos, como despersonalização: não reconhecimento do próprio corpo; sentir-se como se não fosse mais a pessoa que habita aquele “novo” corpo.
Há, por outro lado, o caso de pessoas que não estavam fora dos padrões normais de peso, para suas características físicas, e que nunca se sentem satisfeitas em sua busca por resultados, em sua busca pelo corpo ideal. Novamente, podemos ver aspectos psicológicos envolvidos que jamais deixarão com que a pessoa sinta-se realmente completa e feliz. Após algum tempo esse conflito também pode gerar conseqüências sérias. Nesse caso, estamos frente aos maiores problemas da imposição de padrões estéticos rígidos de uma sociedade extremamente narcisista.
Não resta a menor dúvida quanto a necessidade de acompanhamento de profissionais para que o processo de emagrecimento possa ser feito de forma gradativa, respeitando-se os limites do corpo e, sobretudo, os limites psicológicos. Assim, além de acompanhamento médico e de esteticistas, uma boa dieta alimentar (traçada por um nutricionista) e um acompanhamento psicológico, para que haja compreensão das necessidades e dos desejos inconscientes envolvidos na busca pelo tão sonhado padrão de beleza, são fundamentais para que os resultados sejam obtidos sem que se corra o risco de um processo de “adoecimento psíquico”. Certamente, quando se busca a mudança física amparada por um quadro de profissionais de diversas áreas, cada um dando “sustentação” em seu campo de atuação, o caminha para os objetivos finais torna-se mais atingível e os riscos de abusos físicos ou psicológicos podem ser monitorados e controlados.
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