quarta-feira, 21 de maio de 2008

O mundo é dos feios

O metrossexualismo de David Beckham, Brad Pitt e bela companhia estão com os dias contados. Da Argentina, surge uma nova onda: o 'feiossexualismo'. O homem que está derrubando a ditadura do bonito é Gonzalo Otálora, autor de Feo!, livro que já é um grande sucesso editorial na América Latina - e que em breve vai virar filme, programa de TV e peça de teatro. As negociações para uma edição brasileira já começaram, o livro sai por aqui até o final do ano.

Otálora tem 31 anos, é jornalista e feio. Quer dizer, já foi mais - principalmente quando ainda era adolescente e não fazia nenhum sucesso com as garotas. 'Eu tinha o que a gente chama de triângulo da morte: miopia, espinhas e dentes ruins', lembra ele, em conversa por telefone com o JT. Com todas essas características, o escritor não escapou de uma juventude conturbada. 'Eu não conseguia chegar nas meninas, tinha dificuldade em arrumar trabalho e quase não saía de casa', conta.

Feo! tem uma ótima sacada logo na capa. Sabe aquela boca com a língua de fora, marca registrada dos Rolling Stones? Na imaginação de Otálora, ela é incrementada com um indiscreto aparelho dentário. O livro também tem o mérito de misturar passagens comoventes (como a dificuldade com as garotas) com humor e pitadas de auto-ajuda. 'Acho que posso ajudar muitos feios a se sentirem melhor com o mundo e a própria aparência', explica.

O livro pode ser considerado uma versão masculina de Bete, a Feia (tanto da versão latina como a do seriado americano). 'As mulheres já convivem com esse dilema. Existe toda uma indústria de produtos de beleza, cremes e roupas para que elas se sintam bonitas', diz. Perguntado se namoraria uma feia, Otálora não pestaneja. 'Para mim não tem problema. Pode ser bonita ou feia. Não me importo com isso.' Detalhe: o escritor, atualmente, está sem namorada.

O autor gosta de teorizar sobre os padrões estéticos. 'Esse padrão de beleza atende apenas 2% da população mundial. É um absurdo', fala. 'Historicamente, isso foi inventado depois da quebra da bolsa americana, em 1929. Os grandes empresários descobriram que era preciso criar padrões de consumo de massa. Daí, elegeram os belos do cinema e da publicidade. No mesmo período, criaram o concurso de miss e outras coisas parecidas.'

Segundo ele, o feiossexualismo surge para se contrapor a essa 'tendência cruel'. 'O feio pode ser uma pessoa de sucesso, um homem bem humorado, simpático e inteligente. Beleza não é tudo na vida', diz ele, lembrando de cara de um legítimo representante do feiossexualismo em nosso país: o craque Ronaldinho Gaúcho.

Imposto para bonitos

O argentino não acredita, entretanto, que apostar apenas na 'beleza interior' seja o suficiente. O escritor também tem propostas para que os governantes facilitem a vida dos mais feios (leia abaixo).

Apresentou a mais polêmica no final do ano passado à Casa Rosada: a cobrança de impostos para pessoas muito bonitas. Além disso, Otálora propõe que os desfiles de moda contemplem todos os tipos físicos (gordos, baixos, etc) e que seja proibida a exigência de fotografias nos currículos enviados para as empresas . 'O mais importante é que a pessoa possa viver bem com a sua aparência', acredita.

Mais informações sobre o livro (que deve ser lançado
no final do ano no Brasil) estão no site http://www.feosexual.com ou no blog de Gonzalo Otálora: http://www.feosexual.blogspot.com.

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